-Automutilação

28/10/2018

 Pessoas que cortam o pulso, por exemplo, costumam usar pulseiras ou mangas compridas para disfarçar as feridas. 

Se a intenção fosse chamar atenção, por que não fazer em um local mais aparente, ou deixar que seja vista a ferida?  

Então, essa característica de esconder as feridas leva o acometido a se privar de atividades que envolvam a exibição de seu corpo. 

Um dos primeiros sinais dessa doença é que normalmente a área escolhida para ser afetada é fácil de esconder com roupas ou acessórios, pois não se trata de simplesmente chamar atenção. 

As que ferem as coxas ou a barriga a mesma coisa, e quando essas áreas ficam aparentes, há uma grande atividade para esconder os danos, seja com maquiagem ou adotando uma posição que disfarce o ocorrido. 

 O automutilador teme que suas ações sejam descobertas por dois motivos: para não ser criticado por seus atos, visto que dificilmente eles são compreendidos, e para poder continuar praticando a mutilação a si mesmo.  

Quando um automutilador descobre que alguém está praticando o mesmo ato, costuma tentar prestar ajuda e deseja que a pessoa pare com esse comportamento, por saber que é nocivo. 


   Mas se não é para chamar atenção, para que é afinal?


Essas pessoas costumam ter dificuldade de se expressar verbalmente e de se relacionar com as pessoas, além de possuírem baixa autoestima. 

Sim, por mais estranho que possa parecer, a dor física nesse momento parece um alívio, pois distrai e leva embora por alguns segundos aquela dor emocional tão intensa e insuportável que acompanha a pessoa o tempo todo. 

A situação com a pessoa que se automutila é a mesma, mas ela se utiliza da dor física para conseguir anular por alguns segundos a dor emocional, visto que não existe um analgésico para dor emocional. 

Para as pessoas com o emocional estável pode ser difícil entender que alguém pode ferir a si mesmo por vontade própria, mas é isso que ocorre. 

A automutilação nesses casos vem como um alívio emocional momentâneo. 

É uma forma de escapar da intensa dor emocional que acompanha a pessoa constantemente em sua vida para vivenciar apenas a dor física por um tempo. 

  Se ainda está difícil de entender, imagine aquelas pessoas que vivem com uma condição física ou ferida que doem o tempo todo, com o tempo, essas pessoas tendem a viciar em analgésicos e anestésicos devido a possibilidade de se livrar da dor por alguns momentos.  


O que fazer?

A pessoa que se automutila está claramente em grande sofrimento e é assim que deve ser vista e tratada. É ideal aproximar-se da pessoa com delicadeza e com uma fala delicada, compreensiva, para fazê-la entender que precisa buscar ajuda. O apoio e compreensão dos amigos e familiares nesse momento são bastante importantes.

O profissional que atende essa pessoa deve ter um olhar delicado e ajudar o paciente a encontrar outras maneiras de lidar com esse sofrimento, além de compreendê-lo. Por isso a psicoterapia é indispensável nesses casos. O acompanhamento de um psiquiatra também pode vir a ser necessário.

Resumindo a questão

Por mais que essa pessoa precise de atenção - de uma atenção empática e delicada - o objetivo inicial dela ao se ferir nunca foi o de receber atenção, e sim de lidar com um sofrimento intenso. Sofrimento esse que pode intensificar se sua atitude é incompreendida e tomada como banal. Por isso é importante que tomemos conhecimento da gravidade e delicadeza do assunto para não reproduzirmos esse tipo de discurso leigo. Se há um pedido de atenção na automutilação, é o pedido silencioso de socorro de uma pessoa em sofrimento intenso.

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